quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Inspiração e composição; tentação e redenção – o eterno ciclo da condição humana

Abandonando toda a minha diminuta ética jornalística (todo o resto não é diminuto), decidi não cumprir meu acordo com o caro leitor. Sendo assim, não estaremos apresentando a continuação da história do Carnaval. Ao invés disso, aproveitando o ensejo da época pós-carnavalesca, a Quaresma, que tem justamente essa função reflexiva e também traz consigo a contagem regressiva para meus 20 aninhos, irei chocá-los e maravilhá-los com uma louca (e certeira) descrição do PROCESSO CRIATIVO.


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O que move o homem? Pois vos digo, é a inspiração. Desde um simples escovar de dentes até a composição de uma sinfonia, tudo passa pelo espectro sombrio de nossa criatividade. E dentro desse assunto, o mais interessante é o efeito dessa área de nosso cérebro nos grandes pensadores, para mim, os maiores dentre todos os artistas. No entanto, esse post não vem falar de neurologia, mas sim das diferentes formas de inspiração, mais precisamente, o que me faz escrever ou o que me fará escrever. Pois como todos podem notar, cada texto de uma pessoa (principalmente dos blogueiros) apresenta mais detalhes sobre a pessoa do emissor, do que propriamente do assunto sobre o qual ele está discursando. Enfim, estou em busca de minhas palavras e abaixo está o processo pelo qual passo diariamente.

Para inaugurar este pensamento, nada mais justo do que falar da fonte de inspiração universal, o AMOR. Sim, pois ele tem falado aos bons e maus poetas (para mim, sinônimo de escritor) desde antes do cuneiforme, e até da própria língua falada. As musas, como são chamadas as inspirações advindas do amor, são as responsáveis por textos com teor feliz ou soturno. Afinal tanto quanto existem estrelas no céu, existem formas de amar. A Beatrice de Dante Alighieri foi a responsável por boa parte dos poemas dA Divina Comédia, uma metáfora para o próprio amor. “Genealogia do Bem e do Mal”, “Assim Falou Zaratustra”, entre outros, são no mínimo reflexos do amor de Nietzsche por Elizabeth...sua irmã. E foi justamente dessa relação totalmente doentia que surgiram as palavras mais sábias e belas (e complexas) que um ser humano já escreveu. Até o filósofo Wittgenstein, que escreveu coisas profundamente densas e obscuras (para mim), fez tudo inspirado em seu amor por Mutumbu, o arrasa-quarteirão. Mesmo eu, que não possuo a faculdade do amar, acredito que um dia me renderei a esse recorrente e pujante tema. Com ele pretendo fazer minhas “12 Cartas de Amor”, título já escolhido para uma compilação de 12 cartas cuidadosamente escritas com uma única finalidade. Revolucionar. Nelas irei descrever esse sentimento de uma forma nova, longe da pieguice intrínseca ao amor, mas ainda assim conservando o romantismo. O efeito esperado: fazer com que cada leitor se apaixone pelas palavras assim como por seu par, suscitar uma profusão de sensações capaz de transformar o leitor mais qualificado num pobre e ignorante enamorado. Realmente uma tarefa digna de um intelecto como o meu. Porém, tudo à seu tempo. E não é possível escrever sobre algo que não se sente, pelo menos não para com terceiros.

O que me trouxe ao próximo item: o narcisismo. Eu podia escrever sobre o meu amor por mim mesmo, tão grande que é capaz de ofuscar qualquer outra pessoa que eu veja. Tão forte que não me possibilita sentir o contato humano. Sou desesperadamente apaixonado por mim, de uma forma que não consigo expressar com palavras gestos ou qualquer meio inventado por Deus ou pelo homem. O que me lembra de meu ídolo literário mor, John Ronald Reuel Tolkien, meu mestre e soberano, ou para vocês, o “cara por trás do Senhor dos Anéis”. Todo o universo criado e desenvolvido por ele em “O Hobbit”, “Senhor dos Anéis”, “Silmarilion”, “Mestre Gil de Ham”, entre outros, é, sem dúvida, um ode a sua própria inteligência, magnificência e conhecimento adquirido. Ela se achava o fodão (com razão), por isso criou um universo tão maravilhoso e gigantesco, para poder confrontá-lo com seu ego. Sempre que termino um livro dele penso assim: “esse cara era um gênio, quero ser como ele quando crescer”. E agora eu completo: “essa era justamente sua intenção com esses livros”. Ele era malandro, queria ser lembrado, queria ser idolatrado. E assim, também o sou, quero atrair os spots para mim, justamente porque eu me amo muito, quero ser idolatrado. Na verdade essa é a minha meta e minha resolução de ano novo de todos os réveillons. Porém encontrei um problema nessa minha nova forma de inspiração. Não que eu não me ame o suficiente, pelo contrário, meu amor por mim é quase doentio. Contudo, me odeio na mesma profusão (o que acredito, deve acontecer com todo mundo). Ironicamente, da mesma forma que o Gollum criado por Tolkien, minha relação comigo mesmo não é das mais saudáveis. Esse é um problema de pessoas que tentam conviver com as várias “versões” dentro si. Nada alarmante, nem “emo”, só um pouco perturbadora, e principalmente cansativa. Algo que cultivei por vontade própria, apenas para no final colher os frutos, afinal, as mais belas peças literárias são um produto da loucura.

Nesse estágio, como o Marquês de Sade, procuro me deixar levar pela loucura, deixando um pouco de lado a volúpia (fonte da qual o Marques mais bebia), acrescentando a ela, a depressão, a baixa estima vigorosa de um eunuco, uns toques de desespero e autoflagelação. Assim, vou trabalhando todos esses ingredientes para que eles me dêem a mais bela, pura e sincera TRISTEZA. Poderosa a ponto de fazer qualquer Latino virar Thom Yorke. Infelizmente (ou felizmente), ainda não levei a fundo esse experimento, mas acho que ele pode revolucionar a forma como vemos a escrita hoje, pode surgir até um novo “Guerra e Paz”, ou até um “Os Miseráveis”. A tristeza quando bem usada faz com que as palavras se encaixem de uma forma totalmente diferente, como um floco de neve, que são únicos. O que é irônico, pois é justamente a frialdade da tristeza que gera essa beleza etérea, mas ao mesmo tempo tão palpável.

Separada da tristeza, a SOLIDÃO é uma ótima fonte para os diversos poetas. A separação entre tristeza e solidão, se deve ao fato delas levaram a resultados muito diferentes, e terem origens diferentes. Enquanto, a tristeza é algo natural ao espírito humano, quase como a respiração (ou até mais que ela), a solidão já é totalmente estranha a nós e, por conseguinte, a dor que ela causa é bem mais profunda e irreparável. Tanto é que a forma de punição máxima dentro de uma cadeia é a solitária, que na maioria dos casos é pior do que a morte. Além disso, desde tempos imemoriais, a reclusão em si é considerada o castigo mais apropriado aos homens transgressores. Na literatura, o efeito da solidão breve é responsável por ótimas peças literárias, e é uma tática usada por um sem número de escritores. Já a solidão prolongada afeta diretamente a psique dos indivíduos, e gera peças complexas e perturbadoras, no entanto, com um quê genialidade. Paulo, aquele da Bíblia, fez as melhores Cartas quando estava confinado. O Apocalipse é um texto que João fez durante seu exílio no Chipre. Exemplos mais simples, os monólogos são as peças mais difíceis de escrever e encenar, mas, quando bem feitas, são sempre as melhores. É como dizem, “se um homem faminto mergulhar em um mar de merda com certeza irá achar milho para saciar sua fome. E para ele, essa pequena ‘iguaria’ será o banquete mais delicioso de sua vida”. Porem, encontro forte problema no que se refere a retratar a solidão, ou escrever inspirado nela, são as reclamações que ouvirei de todos os meus amigos falando: “como assim você é sozinho?! E eu?”. Elas estragam totalmente o processo criativo de aquisição da Solidão. Já que você não pode pensar em mais ninguém.

NOTA: é importante ressaltar que se SENTIR sozinho e ESTAR sozinho são completamente diferentes. Neste parágrafo, eu estava falando do estar sozinho realmente. Porém, é também preciso dizer que é possível estar sozinho em meio a pessoas.


PS: No final (da minha vida) irei juntar tudo isso e fazer o grande e único “Sobre a Humanidade” ou “Da Condição Humana”, ainda não decidi. Essa sim, a maior peça literária de ficção e não-ficção de todos os tempos.


CANSEI, falei demais, e tenho que fazer uma matéria para o jornal ainda hoje. Depois continuo esse trem, ainda falta raiva, inveja, felicidade, compaixão e oportunismo (no pior sentido da palavra). Na próxima edição ainda vou decidir o que fazer, pode ser o Carnaval II ou a continuação desse troço. O Dominus já vai ficar pronto, só que preciso de todo um fim de semana livre para dar inicio a ele. Vai ser grandioso!




“Todos os homens são ignorantes. Isso é ponto pacífico. Porém, sábios são aqueles que, conhecendo esta deficiência, agem segundo suas limitações”

- Zé Messias

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Chuva Negra


A exemplo de minha “muy amiga” Mariana Moreira (também uma blogueira apostólica romana convicta), não resisti a folia carioca. Mas ao invés das mensagens quase “teletubéticas” de minha miguxa, vou fazer algo bem mais pesado e crítico (em todos os sentidos possíveis). Tudo baseado em minha última experiência carnavalesca (de quase morte, diga-se de passagem).

Mas antes, é necessária uma breve explicação sobre minha relação com o CARNAVAL, ou como eu diria antigamente – “o assassinato desenfreado de neurônios e desperdício de fluidos corporais”. (ou vice-versa)


Pois bem. Como todo bom adorador do Deus Odin, adepto do Viking Metal, fã de Star Wars, Star Trek e Porn-stars, tenho uma predileção pelos temas mais obscuros e mal vistos pela sociedade. Ou seja, sou um grande Nerd, um tão grande que coleciona mangás ao invés de HQ’s, isso porque acho as HQ’s muito simples e pouco filosóficas.
Resumindo: nunca gostei de Carnaval, e ao longo de meus 19 anos (20 no dia 19 de março) de vida disse isso com todas as letras.
Porém, sendo brasileiro e vivendo no Rio de Janeiro, eu sabia que essas palavras se voltariam contra mim algum dia. Só não pensei que fossem ter esse efeito...me fudi bonito!

NO entanto, tudo começou antes do Carnaval. Quando o inteligente que vos fala foi à praia. Isso pela primeira vez em 5 anos, antes só havia ido por causa do meu primo paulista que queria ver o mar (idiota, ia para Santos que era bem mais perto, nem precisa me perturbar) – fui, mas bem a contra gosto. Afinal, praia era o #2 das coisas que eu odiava (advinha atrás do que?....se você pensou em Carnaval errou, o #1 era, surpreendentemente, eu mesmo). [pausa para o choro]

Voltando a esse meu segundo dia de praia, uma fatídica tarde de janeiro, onde tudo corria bem. Fomos até a praia do Arpoador, mas chegando lá, meus Caros Amigos® decidiram ir para a Macumba (por respeito ao sincretismo religioso não farei piadas com o nome da praia). E claro, para preservar a integridade moral desses meus Queridos Amigos (plin, plin), vou chamá-los carinhosamente de José Marques Ribeiro Neto e Luiz Claudio Soares – apenas pseudônimos randômicos acabei de escolher.
Enfim, nessa praia da Macumba que poderia muito bem ser a do Diabo (isso não foi uma piada. Eu realmente não sei qual o nome da praia ao lado do Arpoador), pois bem, para quem não sabe essa pequena enseada tem a fama de ser a “praia dos cachorros”. Isso porque, parece haver uma regra implícita geral (como nas favelas), onde os ricos e snobs moradores da Zona Sul levam seus respectivos cachorros ricos e snobs para passear (atacar pessoas) justamente nessa praia. Sendo que, é de conhecimento dos letrados e cultos que não se deve levar cães a praia, por ser uma baita porcaria. Além dos mais, tem uma grande placa que diz “não traga seu cão”. Desculpe, mas...que FILHOS DA PUTA!

Depois de pisar (descalço), numa série de dejetos que remetem ao titulo deste blog, e quase ser mordido por um belo labrador preto, o qual, por acaso, tinha dentes mais brancos que os meus, finalmente chegay a água propriamente dita. Chegando lá, avistei uma bela mancha marrom, que para manter minha sanidade mental prefiro acreditar que se tratava de um cardume de plâncton transgênico (primo-gêmeo daquele do Bob Esponja).

Fora esse banho de dejetos que novamente remetem ao título deste blog. Como não poderia faltar, levei um magnífico caixote. Ele me assustou o suficiente para que eu percebesse meu lugar, mais precisamente na área mais rasinha, a menos de 1 metro depois da areia. Para se ter um vislumbre da situação, a água estava mais ou menos no meu tornozelo e ao meu lado estavam crianças entre 3 e 5 anos, algumas apontando e rindo, e outras avançando vigorosamente metro após metro, e ao final me chamando, “tio, não precisa ter medo, vem para cá” (como eu desejei que uma delas se afogasse!!). Mas o pior ainda estava por vir... ou estaria ele no porvir?! Não sei, estava mais concentrado no homicídio e não na gramática.

Nesse futuro, o que me esperava, nada mais, nada menos que uma chuva de granizo, sim, de granizo (ou seria granito, enfim, aquele gelinho filho da puta que cai do céu). Quando começou a chover, o nosso grande trio (esperto como só nós podemos ser) decidiu permanecer na chuva, a fim de economizar o dinheiro daquele banheirinho do posto. E como malandragem pouca é bobagem, para acentuar o efeito decidimos subir a pedra do Arpoador. O que, mais tarde, ficou provado não ser uma idéia das mais brilhantes, pois é justamente nesse ponto que chega o GRANIZO.

Cabe ressaltar que ao mesmo tempo em que subíamos superanimados, uma leva de gringos e pessoas em geral descia – todas estranhamente nos encarando. E apesar de não termos bebido naquele dia (não muito), não nos pareceu nem um pouco estranho que NINGUÉM, NINGUÉM MEEESMO, estivesse indo na mesma direção que nós (para cima). E no espaço de tempo que demoramos para chegar ao alto de uma “mini-chapada” começou a cair uma chuva estranha, que “doía”. Sem entender nada, a gente só falava: “caralho, esse vento tá foda. Pinica a beça”. Sem contar que nós estávamos sem camisa, já que nosso líder (o meu xará), disse que vestindo a camisa molhada a gente podia pegar um resfriado (sem dúvida, o maior de nossos problemas).

Para celebrar mais nossa inteligência, é preciso dizer que ficamos parados no alto da Pedra por uns 20 minutos. Tomando na cabeça. E que nesse meio tempo, um de nós (quem foi eu não irei revelar por motivos óbvios) deu uma mijadinha em um “arbusto de cactos” que tem por lá...Isso sim é desafiar o perigo, o resto é bobagem...



Eh, me estendi novamente e acabei não falando do assunto principal, que era o Carnaval...mas não importa, esse espaço é meu (e do Google®), e escrevo nele o que me der na telha.
Falando nisso, não percam o meu novo blog (sim, mais um). O nome dele é Dominus, não tem nada escrito ainda...mas prometo que vai ficar legal...
Na próxima edição, a continuação dessa história, agora no Carnaval da Lapa e em um bloco em Laranjeiras...



NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER!!!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Das Pessoas


Atendendo as inúmeras súplicas de meus leitores aficionados. Eu, no alto de minha enorme sapiência, resolvi adiantar a publicação desse meu pequeno textículo. Por enquanto ainda o tenho (desculpa aí Nenê). Esse é um ensaio sobre o “ser humano”, ele promete ser o melhor artigo escrito em língua portuguesa já lançado no (meu) meio virtual. Nele, explico como as pessoas são “formadas” e como são feitas as conexões entre elas, formando a sociedade.

Quem lê assim do nada, pensa que mudei ou alguma coisa do tipo. Uma vez que este pequeno ensaio não prima pela comédia. Contudo, digo ao meu publico fiel: eu não mudei! Mas se aprendi uma coisa nessa vida foi: “só os Sith lidam com absolutos” (Se não entendeu vá correndo alugar a série Star Wars). Enfim, vou mudar um pouco e escrever coisas produtivas e inteligentes, ao invés de só focar nas besteiras. Pensem que hoje eu tô “Le Monde Diplomatique” e não O Globo. So, let’s go...

Para começar a falar das pessoas antes é preciso analisar a própria palavra, “pessoa”. Isso porque aprendi nas aulas de Retórica que usar a etimologia dos termos é um ótimo argumento (CDF!!!). Numa língua morta dessas aí, pessoa vem de persona, e essa última significa máscara. Sei que meus colegas de faculdade sabem disso porque tiveram a mesma aula que eu, mas esse texto não é um resumo da aula, e não são só eles que vão ler isso (assim espero). Como dizia, as pessoas são máscaras, e é disso que queria falar.

Só para fins didáticos, não estou falando de falsidade, mas de algo bem mais natural (ou seria osmótico?). O que quero dizer é que todas as pessoas possuem essa “falsidade intrínseca”, que é responsável pelo que elas mostram aos outros. Afinal, você não conhece alguém, conhece apenas o que esta pessoa quer que você veja. Calma, não vá agora mesmo brigar com sua amiguinha (o), e implorar que ele (a) te conte todos os segredos profundos. Só, estou dizendo que existe certa diferença entre o que uma pessoa realmente é, e o que ela exterioriza. Não. Não fui largado no altar, nem tive nenhuma desilusão amorosa. Essa é uma constatação puramente acadêmica. Então, continuando...

Muita gente pode dizer que isso é óbvio que todo mundo sabe, que existe o “eu-interior” e o exterior. Todavia, acho que ninguém chegou aonde quero chegar. É mais ou menos isso, podemos dizer que uma pessoa é formada por três personas:

Primeira: “eu-interior”, aquele que guarda os segredos, sua verdadeira índole e psique. Poucas pessoas realmente o conhecem, geralmente demora uma vida toda, e mesmo assim, às vezes é só uma parte dele. Justamente por ser muito difícil de ser encontrado, considero que seja feito puramente de Inconsciente (aquele daquele velhinho alemão mesmo). Ahh, e outra coisa, ele pode mudar, e provavelmente é invisível para terceiros.

Segunda: “eu-coletivo” ou exterior, é um apanhado de suas melhores qualidades e defeitos, ele pode ser consciente ou inconsciente, pode ser baseado na verdade ou inventado (estou pensando seriamente eu dividi-o, em duas categorias). É a reunião de suas ações no meio social, tai, “eu-social”. Gostei.

A Terceira é a que mais gosto, só que infelizmente ainda não a batizei. Basicamente ela é como as pessoas o vêem. Simples, a junção de todas as impressões que os outros tiveram/têm de sua persona. Ou seja, ela é plural, são suas múltiplas personalidades dadas por cada um que te conhece ou já te viu, ou mesmo esbarrou na esquina. Sim, qualquer encontro, por mais casual que seja, conta, pois são eles que formam o que você é. Uma vez que a sua opinião só conta para você, são os outros que te definem.

Assim, a sua pessoa realmente não existe, ela é como a realidade. Não passa da junção de diversas versões. No caso, VOCÊ como pessoa é a reunião do que você realmente é, acrescido do que você pensa que é, mais o que outros pensam que você é. Legal, né? Eu sou sinistro! Pensem nisso e tentem perceber as pequenas sutilezas e nuances que formam uma pessoa, é tão divertido, quase mágico. Claro que nem todos têm um olho treinado como o meu, mas isso se adquire. (essa frase soou muito mais gay do que eu queria, mas tudo bem)

Também gostaria de esclarecer que provavelmente isso já foi falado na obra de Heidegger ou de Freud, mas isso não importa. Nunca li nenhum deles, logo eu que inventei isso (hahahahah). Ahhh, tudo ficou meio jogado, porque é um texto de blog. Mas pode deixar, vou fazer um livro explicando tudo isso. (Assim que ler Heidegger e Freud, e muitos outros, como Umberto Eco e a Pesavento.).

Espero que tenham gostado desse mini-ensaio, prometo fazê-lo em versão standard (piada interna) numa próxima ocasião. Na próxima edição estou pensando em escrever sobre os “7 tormentos”, outra de minhas elucubrações. (Viva o dicionário de sinônimos!)

Tá na hora de matar a fome tá na mesa pessoal!!!!!!

P.S.: Coloquei a foto do “O Pensador” de Rodin porque ela remete ao título do Blog.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007 – o ano em que meus pais me deixaram sair de casa.



Fora as excitantes mudanças em minha vida social, no ano passado aconteceram fatos assaz interessantes, que atraíram não só a atenção de todo o mundo, como também a minha (a que mais importa!). Dentre as inúmeras ações e omissões que marcaram os últimos doze meses, estão, obviamente, a indicação de minha vizinha ao prêmio Nobel da Paz, por seus esforços no combate a fome no mundo – ela finalmente fez a ligadura de trompas –, e a decisão de meu tio de parar de tomar Coca-cola (por causa dos gases). Aí, vocês podem perguntar: qual a relevância de atos tão grandiosos feitos por gente tão insignificante? Ao qual eu responderei: o último ano esteve repleto de atitudes insignificantes de pessoas “grandiosas”, por que não diversificar um pouco?! Afinal, minha vizinha perceber que um nono filho prejudicaria o futuro dos outros é um insight comparável a Monalisa, e quanto ao meu tio...bem, digamos que minha tia tem um nariz muito sensível e a mão muito pesada.

Já no que se refere aos assuntos de interesse geral, com certeza, o maior de todos eles, é o lançamento da Coca Zero... zero sabor. Aliás, depois do lançamento de diet e light, não sei como alguém ainda pode considerar a possibilidade de tomar algo assim. Exceto, os diabéticos e gordinhos em dieta, que mesmo assim não se arriscariam a morrer pelo que está escrito no rótulo (pelo menos eu não). Contudo, novamente, a ovelha negra da Comunicação, a maldita publicidade (sempre ela) agiu, fazendo com que esse magnífico coquetel de conhaque de alcatrão, folha de coca e leite mineiro, virasse febre nacional em alguns meses. Bem que a Escola de Frankfurt e todos os Apocalípticos dos anos 60 e 70 tentaram nos avisar, mas ninguém ouviu. Deu no que deu, Reagan foi eleito, e com ele a sociedade judaico-cristã-ocidental entrou em declínio.

E por falar em política – no Brasil, mesmo sem eleições, escândalo é o que não falta. A bola da vez foi “um certo senador alagoano” (única piada boa dos Casseta). Como eu disse no começo, “o último ano esteve repleto de atitudes insignificantes de pessoas ‘grandiosas’”. Uma delas foi desse sujeito que deixou de pagar uma pensão – coisa que todo brasileiro deixa de fazer uma vez na vida –, e acabou xisnovado dedurado pela tal biscate amante. A história todo mundo conhece, ou melhor, a estória contada pela Globo todos sabem. E mesmo os detalhes mais íntimos foram relatados no livro de Mônica Veloso, que para manter minha sanidade mental, não chamarei de Jornalista. Enfim, existem muitas lições que podemos tirar dessa história. 1ª – Mulher É um bicho ruim para cacete (não no sentido fisiológico). 2ª – Nem tudo o que a Globo diz é verdade, e mesmo que seja provavelmente não interessa as pessoas de bem. 3ª – Você tem que prestar atenção no que pega para comer, principalmente se você tem um cargo importante e faz coisas ilícitas para ganhar uns trocados a mais.

Ainda por aqui, Tropa de Elite – o único filme nacionalista e imperialista do cinema brasileiro –, levou milhares de pessoas ao camelódromo da Uruguaiana atrás de uma cópia não autorizada do longa, uma mistura de documentário e action movie hollywoodiano. Isso três meses antes de seu lançamento, um recorde de público antes mesmo da estréia, verdadeiramente um espetáculo do crescimento. E mais, a polêmica a respeito dos policiais-vigilantes não pára no aspectos ideológico e comercial do filme, que foca o caráter nacionalista das ferramentas repressivas do Estado (Polícia e Forças Armadas), sem dúvida, o lar dos maiores nacionalistas do País (embora todos sejam conservadores de direita, e possíveis ditadores. Como mostra o filme).

Tropa de Elite aborda a violência de um modo maniqueísta, dizendo que os “bons” têm o direito de usá-la em prol do bem comum, o que o torna mais uma ferramenta deste sistema combatido pelo Capitão Nascimento. No geral, a discussão gerada pelo filme serve para vermos a atual “despolarização” do mundo em que vivemos. Como bem dizem os estudiosos, o pós-moderno é a era da falta de ideologias, assim, tanto na vida real, quanto na ficção, os heróis também são bandidos, e vice-versa.

Além de Renan Calheiros e Tropa de Elite, o Rio o Brasil foi acometido por mais uma febre, o Pan. Sim, os Jogos Pan-americanos encheram o saco de muita gente, principalmente o meu. Nada contra a união provocada pelo esporte, ou contra o prazer sádico em humilhar os adversários, mas sinceramente, qual a importância do Pan?! Embora a Globo (sempre ela) tente convencer você de que foi o evento do ano, e que todo o País estava com seus pensamentos exclusivamente voltados para os Jogos, isso não é verdade. Os paulistas invejosos estavam mais preocupados em avacalhar o negócio, com ameaças de bomba, e claro, mandando seus “atletas” para as competições. E o resto, bem, eles estavam assistindo mesmo, afinal, era isso ou Casos de Família no SBT. Agora, falando sério, duas coisas muito importantes precisam ser entendidas sobre o Pan: ele serviu para metade dos universitários do Brasil treinar seu inglês, trabalhando como voluntário (Como eu sei? Eu estava lá. Não de graça, óbvio!). E outra, os Jogos foram mais um motivo para o Cesar Maia encher as burras de dinheiro (Maia’s Engineering & Construction), e de quebra falar mal do governo federal e zoar o governo estadual.

Saindo do âmbito nacional e indo para o mundial, 2007, deu o que falar, principalmente na música. A Ameaça Emo se expandiu a proporções catastróficas, chegando as esferas mais respeitadas e conservadoras de nosso país, a Globo. A cultura de massa nunca foi tão avassaladora como hoje, a dicotômica internet, ao mesmo tempo braço direito do Capitalismo e do Pensamento Livre. Assim, com as duas maiores difusoras de conhecimento trabalhando a favor do lado mais melancólico da música. Os exércitos liderados por Gerard, “vocalista” do My Chemical Romance, saíram do front estadunidense desembarcando em terras tupiniquins, colonizando todos os receptivos e vazios jovens da classe média. A massa de cabelos verdes e piercing no lábio, agitou o mercado fonográfico (virtual) e popularizou o “estilo” dos pseudo-punks, alavancando NX Zero’s, Forfun’s, CPM’s, Panic at the Disco’s e Good Charlote’s da vida. Até quem não tinha nada a ver com o babado quis ganhar um troco, como o Charlie Brow Jr. e os ex-integrantes do extinto Blink 182. A super lotação do segmento levou até a rainha, Avril Lavigne, a singrar os caminhos do pop, vendo a brecha deixada por Britney Spears (morreu) e Christina Aguilera (foi definitivamente para a Black Music). Voltando para o Terceiro Mundo, temos a ascensão do funk, saindo das mãos dos “menos favorecidos” (como eu) diretamente para o aniversário da filha da Xuxa, e, assim por diante, para as mãos da classe média que ainda não tinha virado emo (ou mesmo para a que tinha). Só um adendo: os indie também são muito chatos e com certeza são os que mais me irritam, porém só os fãs. As bandas são muito boas e geralmente tem uma qualidade musical fora do comum, vide o saudoso Los Hermanos (snif, snif), Strokes, Arctic Monkeys, Moptop, entre outros.

Eu sei, retrospectivas não passam de repetições sem sentido, de assuntos por demais repetidos durante o ano, mas eu não conto para ninguém, se vocês não contarem. E além do mais, essa daqui já está acabando, por isso, agüentem firme.

Para todo bom nerd, falar de 2007 sem comentar o último Harry Potter é impossível. Não fugindo a regra aqui vão minhas considerações: Foi lindo, maravilhoso, chorei quase do começo ao fim! Só para não dizerem que eu estou amolecendo (jamais, pois sou cliente do Boston Medical Group), vou chover um pouco no molhado e fazer umas críticas a versão brasileira de HP. Pow, sem comparação, a versão original é linda, tem espaçamento duplo, capa-dura, e arte no começo dos capítulos. Sei que o preço provavelmente seria maior, mas eu não me importaria em pagar.

Para encerrar, o “crème de la creme”, o que realmente abalou o mundo e principalmente o Brasil em 2007. Claro que foi o MENGÃO, sua saga épica de superação, raça e garra mostrou que o futebol não se joga no papel e sim em campo. Tinha que ser o meu time, O PRIMEIRO PENTA CAMPEÃO BRASILEIRO. E“dividino” o espaço com meu Mengão está o Orkut.

Sim, ninguém foi mais importante, mais popular, mais Cult, e mais fashion que a página desenvolvida pelo Sr. Orkut Büyükkökten. Afinal, a Polícia Federal usa direto, os bandidos também, facções e torcidas organizadas dizem que não ficam sem, nerds, universitários, e até cachorros têm. Enfim, sempre que alguém fez uma merda o Orkut tava por trás. Ele foi responsável por 65% dos rompimentos e divórcios do País, por 7% das mortes também, 35% das monografias e teses em geral falam sobre ou com citações dele. Ainda não é certo que ele veio para ficar, provavelmente sumirá para dar lugar a uma nova febre, mas esse ano foi dele. Porém, tudo tem um lado ruim...

As 400 mil citações de Charles Chaplin e os 52% de usuários que apagam scraps encheram o saco, além disso, os 300 mil fakes e a propaganda da webcaseiras perturbaram mais do que a vinheta de final de ano da Globo. E finalmente, os pobres (intelectualmente falando), adeptos da cultura funk e hip-hop, que usam termos como “recalcados”, colocam fotos esdrúxulas em poses, no mínimo bizonhas (se achando), e se auto-intitulam “prostitutos”, “playsson”, “muleke-piranha”, e etc. Não só eles, como os pequeno-burgueses da classe média que fazem comunidades deveras preconceituosas para rir da ignorância alheia. Shame on them!


Sendo assim, nesse ano ocorreram coisas boas e ruins (como todo ano)... até o Papa Adolph Ratzinger e o Bush pintaram por aqui para tentar botar ordem nessa “bagunça”... Chaves andou por tudo quanto é canto, e falou tudo o que quis...ninguém ouviu. A Globo continuou com seu plano de alienação mental, agora mais distante devido a influência e ascensão da Record (que também não é flor que se cheire).

Para 2008, ano de novos prefeitos e vereadores, só posso esperar um voto mais consciente, e mais trapalhadas para que eu possa escrever bem mais no ano que vem....
Bem, é isso, me diverti muito escrevendo, e espero que todos tenham tido “a good time” lendo. Na próxima edição, se possível, vou fazer um ensaio acadêmico e filosófico sobre os seres humanos (é sério!!!). Não Percam...


Cruj, cruj, cruj, tchau.