domingo, 22 de junho de 2008

Beber, Cair, Levantar: o declínio de um mito

Olá, meu nome é Zé Messias*, e (a partir de agora) eu sou um alcoólatra...ueba!!!!



Primeiro, desculpa o susto gente. Sabe como é, né?! Cerveja, vodka, tequila e arrogância, uma mistura perigosa. A história da arrogância é por causa do gummy. Achei ele tão fraquinho que tive que dar uma “incorporada”. Sempre pedia ao garçom: “ei, garçom! Não você, o fortão bonitinho, coloca aí meio de gummy e meio de vodka pura”. O que se repetiu umas seis vezes, com a única diferença de eu ter começado a achar o outro barman bonitinho também.

Ah é, esqueci que nem todo mundo que tem internet tava ontem (21/06) na Chopada da Comunicação da Uerj, onde estudo...mas deu para ter uma idéia pelo que escrevi aí em cima, né? Tive apenas um leve coma alcoólico, nada de mais....

E por falar nisso, olhem só como foi...eu acordei só por volta das 09h30 no meio de uma tomografia. Parece que eles queriam saber se eu tava com alguma coisa na cabeça. Mal eles sabiam que não tinha mais nada lá, porque meus neurônios, que estão em Estado de Greve, fizeram uma paralisação justamente na noite de sábado. Como eu sou um maldito porco capitalista tratei de contratar uns fura-greves para substituí-los, os destilados e maltados.

Ah, esqueci de contar o mais legal...eu ainda estava bêbado quando eu acordei, tanto é que eu mijei nas calças no corredor do hospital (na frente da minha mommy), o que realmente não foi muito divertido. Só sei que a partir de agora nada de álcool para mim, só quero saber de coisas naturais, chás de ERVAS e coisas desse tipo...

E o pior é que eu acordei sem camisa e sem a fivela do meu cinto. Essa última provavelmente retirada por causa da tomografia, só que não lembraram de devolver e eu, obviamente alterado, não tava lembrava nem como eu fui parar no hospital em primeiro lugar. Só fiquei sabendo, seis horas mais tarde quando li na comunidade da FCS que eu tava bem, o que me deixou profundamente aliviado.


Antes de terminar, só quero dizer que o Sr. Selésio (a quem estimo muito), não vai mais poder falar mal do Livio, porque ele definitivamente perdeu a fama de antipático, arrogante, ladrão, bicha, maconheiro ou o que seja...Ele e todo o pessoal que me ajudou, que eu nem sei quem foi (tô zoando), foram super cuidadosos e cortaram um dobrado por este ser vil que vos fala que ainda por cima vem aqui e faz piadas sobre o caso...e o pior, piadas muito sem graça que até o pessoal do Zorra Total faria. Gente, eu não mereço vocês. Thanks, love you all!

De-ta-lhe, a minha mãe falando para mim, já em casa: “Dois amigos seus estavam no hospital, o Bernardo e um tal de Lipidio”. Nessa hora tive um ataque de riso e quase voltei para o hospital ...


Hugs and kisses.. XOXO


PS: Não percam o texto sobre a chopada no próximo post. Eu não estava lá, mas eu vi tudo.



*Zé Messias
é um sujeito muito arrependido, e que, a partir de hoje, promete nunca mais encostar uma gota de álcool na boca. Ou nas palavras de sua querida calourinha Maria Luisa, vou parar de “encher o cu de cachaça”. Falando nele...é melhor deixar quieto. Além disso tudo, Messias é um autor de Best-sellers como “O efeito Cabrini”, “A droga na obediência” e “Se seu pai já fez então pode”.

domingo, 16 de março de 2008

Mari de Messias – uma ópera-rock em si menor


A história a seguir é um produto de ficção. Criada a partir de remedos de sonhos eróticos que tive após assistir Emanuelle 5. Por isso não acredite em nada. Tô zoando! Esse é um fato venéreo, esta historinha faz parte de um relato super-secreto que uma amiga me confidenciou em segredo (puxa!), por isso no intuito de preservar sua diminuta integridade moral alterarei nomes, datas e locais (quem quiser saber mais detalhes me mande um depô que eu conto em off – SÓ PARA GATINHAS). Eu sei que alguns podem estar se perguntando: Por que você não evita a confusão e fica de bico calado? Ao que eu respondo: onde está a graça nisso?
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Mari de Messias – uma ópera-rock em si menor

Como todo bom garoto gordinho e “ligeiramente” desprovido de sexy appeal e tato com mulheres, desde cedo mostrei uma aptidão acima do natural para a ingrata função de “amigo gay”, também conhecido como, O Arroz . Sim, está é uma função muito, muito ingrata mesmo, mas que sempre rende muitas histórias interessantes...como esta. Essa minha amiga em questão se chama Maricleide, e tem o singelo apelido de Mari. E ela tinha um namoradinho, o Alfredo...ops...quero dizer, Reginaldo. Mari e o Alfr...Reginaldo viviam um lindo caso de amor, daquelas coisas bonitas de cinema. Ele - um lindo e gostoso ex-garoto deprograma, todo sarado e depiladinho. Parecia a bunda de bebê, de um bebê-tanque. E ela, uma bela morena de cabelos sedosos como o mais fino Bombril. Enfim, a combinação perfeita: um rapaz com nenhum cérebro e muitos músculos (e que músculos, ui que delicia) com uma garota de mente afiada e possibilidades infinitas no futuro (balconista, frentista, sacoleira, garçonete, etc.).

Eles se conheceram na insólita Baixada, terra esquecida por Deus, e mais do que desprezada por Cesar Maia. Ele é o autor da célebre frase: Não vou fazer porra nenhuma de metrô para essa cambada de pobre vir estragar minha cidade. Eles que venham de trem ou qualquer outro meio de transporte suburbano...argh...quero que todos se explodam. E mesmo no noticiário vocês podem ver a tristeza da situação de minha miguxa, uma vez que na “cidade” dela as pessoas realmente andam de charrete.

Agora tem gente que pode dizer: azar na moradia, sorte no amor. Estas pessoas estariam redondamente enganadas, pois minha miguxa do coração, a Mari, consegue ser mais azarada do que um gato preto debaixo de uma escada na sexta-feira 13. Já sei o que vocês vão dizer: nossa como este nobre e belo escritor é exagerado. E novamente vocês estarão enganados (não na parte do nobre e belo). Vamos recapitular: ela mora extremamente mal mesmo, na incólume re-Baixada. Ao contrário de alguns marajás do jogo de bicho que moram na região, ela é pobrezinha. Ela tem escrúpulos suficientes para não vender seu belo corpo bronzeado na laje, o que naquela região, é sinal de burrice e pobreza extremas. E o pior, ela nem tem a malandragem de alisar e pintar o cabelo de loiro, na esperança de fisgar um pagodeiro desses da vida. Não ela, uma moça sonhadora que...sonha (desculpe a falta de vocabulário) em se casar na Igreja, de branco, com véu, grinalda e daminhas vestidas de rosa-choque ou azul-turquesa. Enfim, qualquer uma dessas cores que pobre tanto gosta.

Enrolei, enrolei, mas não falei do babado em si. Meu problema é que eu adoro introduzir....assuntos. Começo coisas que se tornam muito maiores do que o previsto e acabo fugindo do assunto. Mas podem deixar, desta vez eu vou até o final...até o talo mesmo. Tudo pela Dona Mari.

Como toda pessoa das castas inferiores da sociedade carioca (da qual pertenço as well) a vida de Mari pode ser contada na forma de novela mexicana. E é o que farei a partir de agora. Afinal, eu sou muy amigo, e não poderia deixar esta escapar...
Mari do Bairro, uma pobre lavadeira, que pagava seus estudos na Universidade Pessoa de Morais (agora que eu percebi o trocadilho com esse nome) fazendo serviços de limpeza na mansão dos De La Vega e Brangança – descendentes de barrões de café que dominavam a área e, por conseguinte, o jogo do bicho também.. Por um acaso, em seu dia de lavar as cuecas, chega a casa o afilhado pobre da patroa, o tal Reginaldo Augusto Mariano Rapposo Correa, que não sei porquê o pessoal cismava em chamar o menino de Alfredo?!

Foi amor a primeira vista. Mari com a vestimenta folclórica típica da região, aquele shortinho jeans (ou seria stretch?) cirurgicamente grudado à pele. Reginaldo vestido com a farda branca de marinheiro, pois ele tinha acabado de sair de um “servicinho”. Eles se apaixonaram perdidamente e viveram loucuras de amor intermináveis. Ela ligava (com o nextel, óbvio) de duas em duas horas para contar como estava sendo o dia dela. Coisas simples e românticas, como a menstruação da irmã, o vizinho do lado esquerdo que espancava o filho, o vizinho do lado direito que espancava o pai, essas coisas corriqueiras do dia-a-dia suburbano. Ele não contava nada, apenas fazia pole dance para ela. Ela, uma grande retardada como toda apaixonada acreditava que ele foi adotado por uma família circense que havia lhe ensinado estes truques. Eles passavam os dias trocando “rádios”, e a noite fazendo amor ouvindo Monserrat Cabalet e Freddy Mercury. Foram as duas semanas e meio mais perfeitas da vida de minha amiga.

Mal sabia ela das reais intenções do pérfido Regifredo. Imaginem que para minha total e completa surpresa descobri que ele não era a Alzira da história, mas sim o Ferraço. Segundo informações mais do que confiáveis de minha grande amiga, ele viajava de cidade em cidade, de boate em boate, seduzindo jovens incautas. Essa era sua patologia.

E por falar em patologia é aqui que entra nossa terceira personagem, a Ex. Como todos sabem todo homem galinha deixa um rastro de penas que pode ser seguidos por longas distancias. E sendo um cabra burro como Rogério era, não poderia ser diferente. A pobre pena em questão se chama Ariadne, uma pobre menininha de 15 anos incompletos, outra flor de candura, bem mais inocente que a pobre Mari já com seus 20 anos, 3 meses e 4 dias. E ela ficou tão encantada com a aura daquele Adônis da periferia que se apaixonou perdidamente, afinal ele era seu primeiro amor, aquele mais doce de todos. O amor de sua juventude. E não é que a garota ficou piradinha das idéias. A dor da desilusão precoce a revoltou de tal maneira que ela insurgiu contra Mari. Afinal, a corda sempre quebra do lado mais fraco. Durante todo o tempo em que namorava com Robério, Mari teve que suportar constantes cutucadas da pobre Ex. que não passava de mais uma enganada pela mentiras desse biltre. E ainda por cima, mal sabia ela que seria a próxima da fila...coitadinha!!!

Mais uma coisa nós todos (os homens pelo menos) temos que reverenciar, a malandragem deste Roberto. Como meu velho pai sempre dizia: manter várias mulheres ao mesmo tempo é tarefa de um homem louco, mas manter várias mulheres SATISFEITAS ao mesmo tempo é tarefa para um político (especialmente se for alagoano). Então vejam bem a situação: um cara mais pobre do que o Lula quando saiu do Nordeste, nem era muito bonito (parecia um pouco o Gianecchini...virado do avesso 3 vezes), que só tinha a seu favor uma flexibilidade assombrosa e uma farda amarrotada no armário. “Qual era o truque dele?” – Eu me perguntava enquanto ouvia o relato sofrido de minha pobre miguxa. Seria uma enorme *****. Ou talvez sua versatilidade durante a ****? Ou será que naquelas horas ele fazia **** na **** dela?! Tudo isso assombrava minha mente, enquanto eu ouvia todas as maldades cometidas por Rodolfo Frederico.

É importante ressaltar que a participação da pobre Ariadne é bem maior do que aquela que eu disse. Uma vez que a relação de Mari com a menina não se resumiu a simples farpas orkuteanas e depois de descoberto o plano mirabolante como as duas eram profusamente corneadas mutuamente uma com a outra, elas acabaram virando super Best Friends. Vai entender a mente feminina!
Agora vamos a maneira como elas descobriram o estratagema do esperto Roberval. Era uma tarde de domingo ensolarada na fétida Baixada. Mari estava no busão feliz da vida, passando pela Via Light, avistando toda sorte de assaltos e mortes esdrúxulas...um dia como outro qualquer. Ao seu lado estava seu namorado, o infame Robsbawn, e do nada ele diz que quer terminar....sendo que ele já havia feito isso trocentas vezes, num vai-e-vem frenético e interminável. Mari simplesmente olhou para a cara dele e disse: tá bom, até terça! Robbespierre estranhou a apatia de sua amante. Ele esperava, no mínimo, que Mari seqüestrasse o ônibus com a Uzi (presente de 15 anos dado por seu pai) que ela esconde em sua mochila da Hello Kitty, e jogasse todos do Mendanha. Ele ainda berrou enquanto Mari descia em Austin para comprar bugigangas: Agora é sério, hein. Ao que foi respondido por uma velhinha de 78 anos com rugas até nas pálpebras: depois de te ouvir falar isso pela 5ª vez, nem eu acredito. Mas, se você quiser, minha casa está a sua disposição.
Chegando na terça, o já tradicional dia da reconciliação, Mari já esperava com sua camisola mais sexy de renda francesa (comprada naquela mesma tarde em Austin). E qual foi sua surpresa quando o bofe não apareceu. Ela ficou desolada, e na manhã seguinte quando chegou na lan-house mais próxima de sua casa, correu para o Orkut afim de averiguar os motivos de ter sido deixada na mão (por favor, não interpretem esta frase literalmente).
E foi lá que ela teve A Revelação. Assim como no dia de Pentecostes, ela foi inundada pelo Espírito e teve a derradeira compreensão messiânica. Ela viu o álbum mais cruel e sórdido de toda a sua vida...aquele que para sempre destruiu todo e qualquer rastro de inocência de sua vida. Maricleide Francisca da Silva Barroso viu, como se fosse através dos olhos da própria Deusa da verdade, a mais gélida e cruel de todas, o que a muito relutava em acreditar. Aquele homem a que devotou tanto amor, era na verdade, um pai de família, casado há 3 anos com uma mulher do Sul...da região Sul de Pernambuco. Ele ainda tinha quatro filhos: José Patrick, Derek Augusto, Dorival Dionísio e Marta (um menino batizado em homenagem a jogadora, vai entender?). Foi um choque, foi devastador, foi desesperador. Ela não se sentia assim desde que soube que Papai Noel não era o “companheiro” do Coelhinho da Páscoa e que eles não viviam juntos em Neverland.
Conclusão: Mari perdeu seu amor de verão, mas ganhou uma super-amigona. E até eu, que não tenho nada a ver com a história ganhei meu primeiro best-seller que será lançado no verão de 2010... Como Criar Cavalos – Analogias ente o Amor e os quadrúpedes. E para você meu caro leitor, que prometerá nunca revelar o conteúdo deste meu pequeno post secreto, deixo a maior benção de todas, meu talento descomunal (em todos os sentidos).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Inspiração e composição; tentação e redenção – o eterno ciclo da condição humana

Abandonando toda a minha diminuta ética jornalística (todo o resto não é diminuto), decidi não cumprir meu acordo com o caro leitor. Sendo assim, não estaremos apresentando a continuação da história do Carnaval. Ao invés disso, aproveitando o ensejo da época pós-carnavalesca, a Quaresma, que tem justamente essa função reflexiva e também traz consigo a contagem regressiva para meus 20 aninhos, irei chocá-los e maravilhá-los com uma louca (e certeira) descrição do PROCESSO CRIATIVO.


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O que move o homem? Pois vos digo, é a inspiração. Desde um simples escovar de dentes até a composição de uma sinfonia, tudo passa pelo espectro sombrio de nossa criatividade. E dentro desse assunto, o mais interessante é o efeito dessa área de nosso cérebro nos grandes pensadores, para mim, os maiores dentre todos os artistas. No entanto, esse post não vem falar de neurologia, mas sim das diferentes formas de inspiração, mais precisamente, o que me faz escrever ou o que me fará escrever. Pois como todos podem notar, cada texto de uma pessoa (principalmente dos blogueiros) apresenta mais detalhes sobre a pessoa do emissor, do que propriamente do assunto sobre o qual ele está discursando. Enfim, estou em busca de minhas palavras e abaixo está o processo pelo qual passo diariamente.

Para inaugurar este pensamento, nada mais justo do que falar da fonte de inspiração universal, o AMOR. Sim, pois ele tem falado aos bons e maus poetas (para mim, sinônimo de escritor) desde antes do cuneiforme, e até da própria língua falada. As musas, como são chamadas as inspirações advindas do amor, são as responsáveis por textos com teor feliz ou soturno. Afinal tanto quanto existem estrelas no céu, existem formas de amar. A Beatrice de Dante Alighieri foi a responsável por boa parte dos poemas dA Divina Comédia, uma metáfora para o próprio amor. “Genealogia do Bem e do Mal”, “Assim Falou Zaratustra”, entre outros, são no mínimo reflexos do amor de Nietzsche por Elizabeth...sua irmã. E foi justamente dessa relação totalmente doentia que surgiram as palavras mais sábias e belas (e complexas) que um ser humano já escreveu. Até o filósofo Wittgenstein, que escreveu coisas profundamente densas e obscuras (para mim), fez tudo inspirado em seu amor por Mutumbu, o arrasa-quarteirão. Mesmo eu, que não possuo a faculdade do amar, acredito que um dia me renderei a esse recorrente e pujante tema. Com ele pretendo fazer minhas “12 Cartas de Amor”, título já escolhido para uma compilação de 12 cartas cuidadosamente escritas com uma única finalidade. Revolucionar. Nelas irei descrever esse sentimento de uma forma nova, longe da pieguice intrínseca ao amor, mas ainda assim conservando o romantismo. O efeito esperado: fazer com que cada leitor se apaixone pelas palavras assim como por seu par, suscitar uma profusão de sensações capaz de transformar o leitor mais qualificado num pobre e ignorante enamorado. Realmente uma tarefa digna de um intelecto como o meu. Porém, tudo à seu tempo. E não é possível escrever sobre algo que não se sente, pelo menos não para com terceiros.

O que me trouxe ao próximo item: o narcisismo. Eu podia escrever sobre o meu amor por mim mesmo, tão grande que é capaz de ofuscar qualquer outra pessoa que eu veja. Tão forte que não me possibilita sentir o contato humano. Sou desesperadamente apaixonado por mim, de uma forma que não consigo expressar com palavras gestos ou qualquer meio inventado por Deus ou pelo homem. O que me lembra de meu ídolo literário mor, John Ronald Reuel Tolkien, meu mestre e soberano, ou para vocês, o “cara por trás do Senhor dos Anéis”. Todo o universo criado e desenvolvido por ele em “O Hobbit”, “Senhor dos Anéis”, “Silmarilion”, “Mestre Gil de Ham”, entre outros, é, sem dúvida, um ode a sua própria inteligência, magnificência e conhecimento adquirido. Ela se achava o fodão (com razão), por isso criou um universo tão maravilhoso e gigantesco, para poder confrontá-lo com seu ego. Sempre que termino um livro dele penso assim: “esse cara era um gênio, quero ser como ele quando crescer”. E agora eu completo: “essa era justamente sua intenção com esses livros”. Ele era malandro, queria ser lembrado, queria ser idolatrado. E assim, também o sou, quero atrair os spots para mim, justamente porque eu me amo muito, quero ser idolatrado. Na verdade essa é a minha meta e minha resolução de ano novo de todos os réveillons. Porém encontrei um problema nessa minha nova forma de inspiração. Não que eu não me ame o suficiente, pelo contrário, meu amor por mim é quase doentio. Contudo, me odeio na mesma profusão (o que acredito, deve acontecer com todo mundo). Ironicamente, da mesma forma que o Gollum criado por Tolkien, minha relação comigo mesmo não é das mais saudáveis. Esse é um problema de pessoas que tentam conviver com as várias “versões” dentro si. Nada alarmante, nem “emo”, só um pouco perturbadora, e principalmente cansativa. Algo que cultivei por vontade própria, apenas para no final colher os frutos, afinal, as mais belas peças literárias são um produto da loucura.

Nesse estágio, como o Marquês de Sade, procuro me deixar levar pela loucura, deixando um pouco de lado a volúpia (fonte da qual o Marques mais bebia), acrescentando a ela, a depressão, a baixa estima vigorosa de um eunuco, uns toques de desespero e autoflagelação. Assim, vou trabalhando todos esses ingredientes para que eles me dêem a mais bela, pura e sincera TRISTEZA. Poderosa a ponto de fazer qualquer Latino virar Thom Yorke. Infelizmente (ou felizmente), ainda não levei a fundo esse experimento, mas acho que ele pode revolucionar a forma como vemos a escrita hoje, pode surgir até um novo “Guerra e Paz”, ou até um “Os Miseráveis”. A tristeza quando bem usada faz com que as palavras se encaixem de uma forma totalmente diferente, como um floco de neve, que são únicos. O que é irônico, pois é justamente a frialdade da tristeza que gera essa beleza etérea, mas ao mesmo tempo tão palpável.

Separada da tristeza, a SOLIDÃO é uma ótima fonte para os diversos poetas. A separação entre tristeza e solidão, se deve ao fato delas levaram a resultados muito diferentes, e terem origens diferentes. Enquanto, a tristeza é algo natural ao espírito humano, quase como a respiração (ou até mais que ela), a solidão já é totalmente estranha a nós e, por conseguinte, a dor que ela causa é bem mais profunda e irreparável. Tanto é que a forma de punição máxima dentro de uma cadeia é a solitária, que na maioria dos casos é pior do que a morte. Além disso, desde tempos imemoriais, a reclusão em si é considerada o castigo mais apropriado aos homens transgressores. Na literatura, o efeito da solidão breve é responsável por ótimas peças literárias, e é uma tática usada por um sem número de escritores. Já a solidão prolongada afeta diretamente a psique dos indivíduos, e gera peças complexas e perturbadoras, no entanto, com um quê genialidade. Paulo, aquele da Bíblia, fez as melhores Cartas quando estava confinado. O Apocalipse é um texto que João fez durante seu exílio no Chipre. Exemplos mais simples, os monólogos são as peças mais difíceis de escrever e encenar, mas, quando bem feitas, são sempre as melhores. É como dizem, “se um homem faminto mergulhar em um mar de merda com certeza irá achar milho para saciar sua fome. E para ele, essa pequena ‘iguaria’ será o banquete mais delicioso de sua vida”. Porem, encontro forte problema no que se refere a retratar a solidão, ou escrever inspirado nela, são as reclamações que ouvirei de todos os meus amigos falando: “como assim você é sozinho?! E eu?”. Elas estragam totalmente o processo criativo de aquisição da Solidão. Já que você não pode pensar em mais ninguém.

NOTA: é importante ressaltar que se SENTIR sozinho e ESTAR sozinho são completamente diferentes. Neste parágrafo, eu estava falando do estar sozinho realmente. Porém, é também preciso dizer que é possível estar sozinho em meio a pessoas.


PS: No final (da minha vida) irei juntar tudo isso e fazer o grande e único “Sobre a Humanidade” ou “Da Condição Humana”, ainda não decidi. Essa sim, a maior peça literária de ficção e não-ficção de todos os tempos.


CANSEI, falei demais, e tenho que fazer uma matéria para o jornal ainda hoje. Depois continuo esse trem, ainda falta raiva, inveja, felicidade, compaixão e oportunismo (no pior sentido da palavra). Na próxima edição ainda vou decidir o que fazer, pode ser o Carnaval II ou a continuação desse troço. O Dominus já vai ficar pronto, só que preciso de todo um fim de semana livre para dar inicio a ele. Vai ser grandioso!




“Todos os homens são ignorantes. Isso é ponto pacífico. Porém, sábios são aqueles que, conhecendo esta deficiência, agem segundo suas limitações”

- Zé Messias

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Chuva Negra


A exemplo de minha “muy amiga” Mariana Moreira (também uma blogueira apostólica romana convicta), não resisti a folia carioca. Mas ao invés das mensagens quase “teletubéticas” de minha miguxa, vou fazer algo bem mais pesado e crítico (em todos os sentidos possíveis). Tudo baseado em minha última experiência carnavalesca (de quase morte, diga-se de passagem).

Mas antes, é necessária uma breve explicação sobre minha relação com o CARNAVAL, ou como eu diria antigamente – “o assassinato desenfreado de neurônios e desperdício de fluidos corporais”. (ou vice-versa)


Pois bem. Como todo bom adorador do Deus Odin, adepto do Viking Metal, fã de Star Wars, Star Trek e Porn-stars, tenho uma predileção pelos temas mais obscuros e mal vistos pela sociedade. Ou seja, sou um grande Nerd, um tão grande que coleciona mangás ao invés de HQ’s, isso porque acho as HQ’s muito simples e pouco filosóficas.
Resumindo: nunca gostei de Carnaval, e ao longo de meus 19 anos (20 no dia 19 de março) de vida disse isso com todas as letras.
Porém, sendo brasileiro e vivendo no Rio de Janeiro, eu sabia que essas palavras se voltariam contra mim algum dia. Só não pensei que fossem ter esse efeito...me fudi bonito!

NO entanto, tudo começou antes do Carnaval. Quando o inteligente que vos fala foi à praia. Isso pela primeira vez em 5 anos, antes só havia ido por causa do meu primo paulista que queria ver o mar (idiota, ia para Santos que era bem mais perto, nem precisa me perturbar) – fui, mas bem a contra gosto. Afinal, praia era o #2 das coisas que eu odiava (advinha atrás do que?....se você pensou em Carnaval errou, o #1 era, surpreendentemente, eu mesmo). [pausa para o choro]

Voltando a esse meu segundo dia de praia, uma fatídica tarde de janeiro, onde tudo corria bem. Fomos até a praia do Arpoador, mas chegando lá, meus Caros Amigos® decidiram ir para a Macumba (por respeito ao sincretismo religioso não farei piadas com o nome da praia). E claro, para preservar a integridade moral desses meus Queridos Amigos (plin, plin), vou chamá-los carinhosamente de José Marques Ribeiro Neto e Luiz Claudio Soares – apenas pseudônimos randômicos acabei de escolher.
Enfim, nessa praia da Macumba que poderia muito bem ser a do Diabo (isso não foi uma piada. Eu realmente não sei qual o nome da praia ao lado do Arpoador), pois bem, para quem não sabe essa pequena enseada tem a fama de ser a “praia dos cachorros”. Isso porque, parece haver uma regra implícita geral (como nas favelas), onde os ricos e snobs moradores da Zona Sul levam seus respectivos cachorros ricos e snobs para passear (atacar pessoas) justamente nessa praia. Sendo que, é de conhecimento dos letrados e cultos que não se deve levar cães a praia, por ser uma baita porcaria. Além dos mais, tem uma grande placa que diz “não traga seu cão”. Desculpe, mas...que FILHOS DA PUTA!

Depois de pisar (descalço), numa série de dejetos que remetem ao titulo deste blog, e quase ser mordido por um belo labrador preto, o qual, por acaso, tinha dentes mais brancos que os meus, finalmente chegay a água propriamente dita. Chegando lá, avistei uma bela mancha marrom, que para manter minha sanidade mental prefiro acreditar que se tratava de um cardume de plâncton transgênico (primo-gêmeo daquele do Bob Esponja).

Fora esse banho de dejetos que novamente remetem ao título deste blog. Como não poderia faltar, levei um magnífico caixote. Ele me assustou o suficiente para que eu percebesse meu lugar, mais precisamente na área mais rasinha, a menos de 1 metro depois da areia. Para se ter um vislumbre da situação, a água estava mais ou menos no meu tornozelo e ao meu lado estavam crianças entre 3 e 5 anos, algumas apontando e rindo, e outras avançando vigorosamente metro após metro, e ao final me chamando, “tio, não precisa ter medo, vem para cá” (como eu desejei que uma delas se afogasse!!). Mas o pior ainda estava por vir... ou estaria ele no porvir?! Não sei, estava mais concentrado no homicídio e não na gramática.

Nesse futuro, o que me esperava, nada mais, nada menos que uma chuva de granizo, sim, de granizo (ou seria granito, enfim, aquele gelinho filho da puta que cai do céu). Quando começou a chover, o nosso grande trio (esperto como só nós podemos ser) decidiu permanecer na chuva, a fim de economizar o dinheiro daquele banheirinho do posto. E como malandragem pouca é bobagem, para acentuar o efeito decidimos subir a pedra do Arpoador. O que, mais tarde, ficou provado não ser uma idéia das mais brilhantes, pois é justamente nesse ponto que chega o GRANIZO.

Cabe ressaltar que ao mesmo tempo em que subíamos superanimados, uma leva de gringos e pessoas em geral descia – todas estranhamente nos encarando. E apesar de não termos bebido naquele dia (não muito), não nos pareceu nem um pouco estranho que NINGUÉM, NINGUÉM MEEESMO, estivesse indo na mesma direção que nós (para cima). E no espaço de tempo que demoramos para chegar ao alto de uma “mini-chapada” começou a cair uma chuva estranha, que “doía”. Sem entender nada, a gente só falava: “caralho, esse vento tá foda. Pinica a beça”. Sem contar que nós estávamos sem camisa, já que nosso líder (o meu xará), disse que vestindo a camisa molhada a gente podia pegar um resfriado (sem dúvida, o maior de nossos problemas).

Para celebrar mais nossa inteligência, é preciso dizer que ficamos parados no alto da Pedra por uns 20 minutos. Tomando na cabeça. E que nesse meio tempo, um de nós (quem foi eu não irei revelar por motivos óbvios) deu uma mijadinha em um “arbusto de cactos” que tem por lá...Isso sim é desafiar o perigo, o resto é bobagem...



Eh, me estendi novamente e acabei não falando do assunto principal, que era o Carnaval...mas não importa, esse espaço é meu (e do Google®), e escrevo nele o que me der na telha.
Falando nisso, não percam o meu novo blog (sim, mais um). O nome dele é Dominus, não tem nada escrito ainda...mas prometo que vai ficar legal...
Na próxima edição, a continuação dessa história, agora no Carnaval da Lapa e em um bloco em Laranjeiras...



NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER!!!