quarta-feira, 24 de março de 2010

Skmosu 3.2 - O paradigma da refutação suprema

Em meio a seus estudos de Relações Internacionais, curso para o qual ele descobriu não ter aptidão nenhuma (como eu avisei), Skmosu descobriu um pequeno oásis de paz interior, a Filosofia Ocidental Moderna. Mais precisamente papai Nietzsche e seu discurso sobre o niilismo da condição humana. Ao perceber a (óbvia) falta de sentido na existência humana, o menino Skmosu, ao contrário de qualquer indivíduo com um mínimo de sanidade mental, se sentiu aliviado. Skmosu, que sob nenhum parâmetro estabelecido pela sociedade pode ser considerado um indivíduo produtivo e útil para a sociedade, se sentiu reconfortado ao descobrir que a sociedade em si também não tem nenhuma utilidade e, portanto, seu lugar como parasita e ameaça à saúde pública e ao bem-estar social são apenas reflexos do círculo vicioso (e nocivo) chamado condição humana. E assim, ele atingiu o Nirvana.

O problema disso tudo é que a filosofia, por mais que seja benéfica ao intelecto, não tem nenhum papel na vida cotidiana. Assim, mesmo atingindo o 7° sentido e alcançando a Iluminação, isso de nenhuma maneira não põe comida na mesa, dinheiro no bolso, gasolina no carro e, sobretudo, não põe mulher “na fita”. Motivo pelo qual você não vê muitos filósofos acasalando e gerando novos filhotinhos de filósofos, uma vez que a coisa menos atraente do mundo é alguém questionando e negando tudo a todo tempo (vide Diários de um Macho).

Outro ponto negativo de ver através da camada de bestialidade que cobre o mundo, questionando e negando a todo tempo, é o fato de algumas coisas perderem o valor e outras começarem a não fazer o mínimo sentido. Não era de se espantar que seu cérebro (o do Skmosu) subdesenvolvido, já sobrecarregado com as lições de fisiculturismo, inglês, francês, alemão e relações internacionais, não pudesse carregar o peso da Filosofia Moderna Ocidental. Tendo entendido que a “realidade” (e adjacências) tal qual ela é percebida pela maioria das pessoas não passa de um simulacro, lhe faltou a compreensão ulterior máxima que valida o que foi aprendido até então que é a resposta a pergunta, “o que fazer em seguida?” (Pergunta que pretendo responder em minha tese de doutorado...aguardem).

Enquanto isso, sua mãe, Dona Skmona, que felizmente não entende de filosofia, mas conhece muito bem o encosto filho que tem, já percebeu que toda essa papagaiada filosófica não passa de um plano ardiloso que a mente limitada de Skmosu concebeu (na verdade, é mais um mecanismo de defesa automático do que uma maquinação consciente) para continuar sua vida parasitária sugando, literal e metaforicamente, as tetas de sua mãe.

A verdade era que Skmosu está chegando aos 22 anos e sua mãe, não sendo nenhuma mártir ou otária, sabe que se ela mantiver o menino Skmosu neste regime de leite com pêra e ovomaltino por mais algum tempo ele pode chegar ao Estado Crítico, ou como dizem os cientistas da NASA, Ponto Sem Volta, situação na qual ela teria que aturar seu pequeno parasita filho para o resto da vida. Ou seja, o Inferno na Terra! 

Você, que não entende de filosofia ou não finge ser um profundo entendedor para audiências menos qualificadas, como eu faço, precisa saber que a leitura de Nietzsche pelos não preparados pode acarretar severos traumas emocionais num indivíduo. Aqueles que são minimamente inteligentes para conseguir lê-lo, mas não suficientemente para que as palavras ali dispostas façam algum sentido podem se sentir levemente desnorteados ao saber sobre a cegueira causa pela moralidade e na subseqüente negação de toda verdade depois disso. Skmosu tendo a sua frente a maior descoberta sobre o pensamento humano, simplesmente pensou, “posso usar isso para ‘meter um caô’ sobre a falta de sentido na economia de mercado e na busca de satisfação pessoal através da profissionalização e ficar na casa da mamãe até que eu ou ela morra”. Perturbador? Sim. Mentalmente enojante? Também. Errado? Nem um pouco.

Como sempre, a vida de Skmosu nos mostra porque o conhecimento é a arma mais poderosa da humanidade e acima de tudo porque o aborto é sempre uma boa idéia.  



*Para aqueles que vem me perguntando, sim, Skmosu existe e é “exatamente” da maneira que o descrevo. Eu o conheço desde o 2° Grau e atualmente ele mora na Praça da Bandeira e é freqüentador assíduo da Vila Mimosa podendo ser encontrada lá de 2ª a 6ª entre 18h e 20h.

*Zé Messias é autor renomado presente nas listas de Best-sellers de Veja e New York Times. Alguns dos pseudônimos que usa em seus livros são Paulo Coelho, espírito de Laura, Noam Chomsky, Bruna Surfistinha, entre outros.  Ele também é um grande amigo da onça e espírito de porco que perde o amigo, mas não perde a piada. Cuidado, o próximo pode ser você....

Um comentário:

*Jessie* disse...

Sensacional como sempre, Zé!