The Priori Section
Como diria meu sábio xará e amigo que muito estimo José Marques, “Ano novo, vida velha”. E para não fugir ao ditado, este jocoso blogayro lhes apresenta suas impressões do que será o ano de 2009. Sei que ele tá rompendo com a programação anterior, mas quem conhece sabe que eu não honro com compromissos e tenho como regra me atrasar em tudo o que eu faço (tudo mesmo!). Enfim, aproveitem e não percam amanhã mesmo a Retrospectiva 2008. O texto mais sujo, anti-ético, preconceituoso e engraçado de suas vidas. Preparem-se, pois se vocês acharem este aqui problemático, com certeza, irão surtar com o teor da retrospectiva. São ofensas que não acabam mais a todos os membros da sociedade, classes sociais, pessoas físicas e jurídicas. Só a minha mãe escapa, porque dela todo mundo que ler vai falar mal. Aproveitem enquanto está fresco.
------------------------------------XOXO----------------------------------2009 será um ano importante. Primeiro porque é ano de monografia. A minha, óbvio. Este meu pequeno passo, tambem não deixa de representar um grande passo para a humanidade. Imaginem só, um cara gordo, preto, lerdo, favelado, pobre (não são sinônimos), atrapalhado, mal educado, mal cárater, cínico, arrogante, teimoso e até meio afeminado (só meio) se tornando alguém na vida, isso sem ser dançarino, pagodeiro, jogador, motorista, flanelinha, traficante, trombadinha ou segurança de bicheiro. Pensando bem, eu podia até escrever um livro, desses de auto-ajuda, tipo “Como se dar bem na vida quando nem a sua mãe acredita em você” ou “Quando nascer careca, pelado e sem dentes parece uma vantagem”.
Eh, este ano sem dúvida promete. Será o primeiro ano do governo Obama e o penúltimo do Lula, provavelmente teremos até os candidatos para 2010. O atual presidente tem certeza absoluta de que conseguirá eleger um sucessor a altura, e um dos nomes mais cotados é o de Zeca Pagodinho. O DEMOcratas provavelmente vai mudar de nome de novo. E o Eduardo Paes também...mas desse aí eu quero distância. E digo mais, nem vou perder mais tempo lhe dando ibope no meu ilustre Peristálticos. Porque este pode ser um blog escatológico, mas ainda é um blog de família. Ainda na política, quais serão os novos escândalos do Legislativo. E a Casa da Justiça passará incólume? Vocês podem me chamar de alarmista, mas nosso digníssimo Gilmar Mendes nunca me inspirou confiança. E algo me diz que 2009 vai ser o ano dele...para o bem ou para o mal.
Outro que vive oscilando nesta linha tenuê é mí muy grande amigo Hugo Chavez. Ou Chavito como só eu, Lula e Fidelito o apelidamos. Para 2009, estou com um pressentimento de que essa amizade dele com o Medvedev pode, talvez, quem sabe num futuro próximo (tipo agosto ou novembro) render numa bela duma guerra mundial. Aí vai ser lindo, a geração de emprego – o verdadeiro espetáculo do crescimento –, a indústria produzindo a toda. Suprimentos sendo enviados a todos os lugares do mundo. O petróleo vai subir. As bombas vão cair. E até a fome no mundo vai diminuir (por mótivos óbvios). Vejo com muito bons olhos uma boa guerrinha, só para dar uma sacudida no cenário geopolítico mundial. Só que o Brasil não pode participar, pelo menos não “belicamente”. Quero ver o Brasil mediando e fazendo vários negócios (escusos e limpos) com os dois lados. No caso, a Coalizão Vermelha ou Eixo Russo-portenho-islâmico contra a Liga da liberdade ou como prefiro chamar, the oilsuckers (EUA, Europa e China – ou vocês acham que ela vai continuar vermelha por muito tempo?). Agora sim, a crise vai embora (e leva metade da população mundial junto).
E a essa crise, hein?! Será que essa situação não vai ter conserto? Será que ninguém vai aparecer com uma solução mirabolante? Um quadrado mágico, triângulo isóceles, um pentagrama invertido ou qualquer dessas figuras geométricas seguidas de adjetivo. Nem consigo dormir a noite me perguntado, quando a Seleção vai sair dessa Crise?
Ainda no esporte, este ano que se inicia promete grandes revelações e conquistas. Para-ólimpicas, óbvio. E que para variar ninguém vai ficar sabendo. O Rio talvez consiga uma olimpiadazinha aí, mas não tô muito confiante. Falando em desgraça, tenho quase certeza que um piloto vai morrer esse ano. Não na pista. Já que a FIA tornou praticamente impossível que isso acontecesse, o que tirou metade da graça do esporte. Minha aposta é em algum ataque de depressão, desastre aéreo ou farra narcótica, o que, aliás, vai rolar muito em 2009.
Desde já, quero ser o primeiro a anunciar o Ano da Cocaína no mundo. Num esforço coletivo de 13 sindicatos do crime, uma organização paramilitar e um governo eleito que todo mundo sabe qual é, o maior evento do ano se realizará esse ano (dã) no Caribe, a Meia-maratona do Pó. A prova que consiste obviamente no consumo de uma carreira de módicos 21 km por equipes de até 50 pessoas de cada país, promete abalar o mundo esportivo, assim como a mente dos participantes. Entre eles, políticos, escolásticos de diversas áreas, emergentes, empresários de multinacionais, músicos, advogados, policiais, atores, alguns poucos jornalistas e a mais nova classe cocainômana, os corretores da bolsa.
O Brasil finalmente vai por a prova, num concurso oficial, sua tradição de grandes cheiradores. Aparentemente, Aquela Grande Organização do ramo das Comunicacões já deu férias coletivas semestrais para metade de seu staff o que abrange repórteres, diretores, apresentadores, comediantes, e claro, os atores – alguns foram até treinar nos EUA. Só ali se concentram 14% do scratch nacional.
Os universitários brasileiros estão ansiosos com a possilibade de finalmente fazer algo útil com o que realmente aprenderam na faculdade. O pessoal das Ciências Humanas, professores e alunos, só descansam, poupando seus preciosos narizes que certamente trarão muitas alegrias para o Brasil (e tristeza para suas respectivas mãe). Os cursos de Engenharia, Informática e Biologia desenvolveram um sistema de revesamento por capacidade nasal.
Também já foram solicitados concursos públicos para mais de mil vagas abertas para os efetivos da policia militar carioca e da policia federal, no intuito de substituir parte das Forças que já trabalham em dedicação exclusiva para o evento. A propósito, Bope e Garra já avisaram que as operações e consequentemente as apreensões de pó irão diminuir para garantir o sucesso do treinamento da galera.
Com isso quem sofre são os adeptos Da Mais Querida, que vão precisar mudar seus hábitos de consumo e terão de rebolar para conseguir dO Produto, tendo em vista a marcação cerrada. Se bem que isso já era esperado desde o fiasco dos jogos holandeses de inverno. Com mais de 20 modalidades ilegais em todo o resto do Globo, os organizadores esqueceram de avisar que o concurso ocorreria em Rotterdam e não Amsterdam, que estava sendo vigiada pela Interpol.
Comunicado importante:
O PERISTÁLTICOS REPROVA TODO E QUALQUER CONSUMO DE ENTORPECENTES NÃO PREVISTOS NA LEGISLAÇAO BRASILEIRA E DE MANEIRA NENHUMA PRETENDE FAZER QUALQUER TIPO DE APOLOGIA (de graça)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
As Previsões de Pai Pedro Pé Preto
domingo, 28 de dezembro de 2008
Urgente!
Acabei de receber um email amigo Temporão (Ministro da Saúde para quem não sabe). Ele me pediu gentilmente que parasse as comemoações de aniversário do Peristálticos. O ministério teme que por causa do contigente de textos e do tempo necessário para lê-los isso ocasionasse um suicídio em massa por inanição como ocorre com aquelas crianças coreanas que ficam jogando direto por dias e morrem. Além dos casos de hemorroidas já constatados.
Então além do que já está publicado, só serão publicadas a Retrospectiva (que não pode faltar) e também um texto ainda não definido. O resto mesmo estando já prontos será publicado ao longo do próximo ano.
Enquanto isso, para você que ainda NÃO leu, não perca tempo, sente o rabo numa cadeira bem confortável e se deleite com:
- Skmoso Begins
- Um conto de Natal
- O curioso caso do homem que dava só um pouquinho
*OBS: Se não quiser clicar nos links (afinal nunca se sabe quais vírus se podem pegar) é só descer a página e ir lendo os textos.
*OBS2: Já que você está aqui mesmo, leia todo o resto das coisas que escrevi. Parte delas é bem legal e engraçada. Sugiro a restrospectiva do ano passado feita em janeiro. Ela está tão boa que ao ler na semana passada eu não acreditei que a tivesse escrito.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Skmoso Begins
The Priori Section
Pare!!! Se vocÊ ainda não leu Meu amigo Skmoso talvez este texto seja emoção demais. Enfim, leia aquela porra antes de ler esta porra. Bon appetit!!!
Em meus longos dois meses e três dias como Jornalista sério pode se dizer que vi de tudo o que uma pessoa poderia ver sendo feita da pior maneira possível para outras pessoas. Mesmo aquelas que não nasceram. Como aqueles fetos/embriões doentes que as mães “prometem” aos santos (católicos) com a condição de que, se recuperados, o tal pré-ser, quando finalmente se tornasse algo, viria a ser padre, freira, noviço, cônego ou ambos. Sei que parece roteiro de novela mexicana (eu realmente tirei isso de lá), mas isso não muda o fato dessas coisas acontecerem... e muito, por aqui. E claro, dependo da fé da pessoa as coisas mudam, o futuro rebento pode ser prometido para o pessoal do vudu, para os satanistas, os umbandistas, os ambientalistas, para “candomblezeiros”, maçons e até para a OAB, o que, convenhamos, seria o pior fim destes que citei. Porque aí é passagem para o Inferno na certa! Sem perdão, carta de alforria ou água benta que salve.
Mas de todos os destinos possíveis e imagináveis que uma criança pode ter ao ser salva para depois servir (ou ser) uma entidade sobrenatural nunca tinha ouvido falar, pelo menos até agora, de uma que fosse apadrinhada pelas wicca. Eles são tipo a segunda divisão (sem alusões vascaínas) dos grupos secretos que querem dominar o mundo. É mais ou menos como ser o ídolo máximo e incontestável da torcida do Avaí ou Asa de Arapiraca. E ninguém melhor do que o meu querido amigo Skminha para ser escolhido como o Messias (sem alusões a minha pessoa) dos wicca. Só mesmo este “ser” baixinho e semi-corcunda para conseguir tal façanha.
No post anterior dei uma geral na vida do jovem rapaz Skmosu, agora é a vez do seu nascimento, o momento mágico que gerou esta figura ímpar no sistema interplanetário.
Como toda boa figura naturalmente caricata, Skminha já nasce cheio de clichês ao seu redor. O primeiro deles é a preguiça, óbvio, uma vez que o jovial feto só foi veio ao mundo no limiar do décimo mês de gestação. Essa preguiça toda só tem uma explicação lógica que também vai dar em outro clichê (que surpresa!). Skmosu era um feto obeso, gordo mesmo, que não queria de jeito nenhum sair do útero de onde ele ganhava comida e calor sem ter de fazer nada, ele não tinha nem o trabalho de respirar, literalmente. E o terceiro e último grande clichê da formação e parto do bebê Skmosu é a inevitável e cruel verdade: todo gordo estupidamente preguiçoso acaba fazendo merda. E esta bendita frase não poderia estar mais correta! O que nos faz entrar na parte que não tem nem um pouco de clichê.
Acontece que baby Skma acabou por defecar dentro da placenta e, por conseguinte, no próprio líquido amniótico (o que nos dá um novo sentido para a expressão “cuspir no prato que come”), fazendo com que a pobre criança ficasse literalmente mergulhada na merda. Detalhe, isso nas últimas três SEMANAS de gravidez, o que até hoje é considerado um recorde de sobrevivência. Tendo em vista que em outros casos os fetos só duraram algumas horas. Segundo Dona Skmona que me contou essa história (as gargalhadas) no mês passado, os médicos disseram que o menino só sobreviveu graças a uma pré-disposição congênita (dah) ao contato com agentes toxicológicos, parasitários e bactericidas em geral. Resumindo, ele estava gostando e muito!
No entanto, Dona Skmona só soube deste fato depois do parto (normal, diga-se de passagem, pois o risco de uma infecção generalizada era grande). E neste ponto entram os wicca. Na consulta seguinte ao diagnóstico do que mais tarde ficou conhecido como Doença dos Skmas ou Mergulho Tailandês apareceram sete pessoas com uma oferta mais do que tentadora. Sabendo da condição de Dona Skmona (o que dá uma história a parte), a estranha organização tentou comprar o menino. Segundo eles, existia uma profecia na qual o líder deles o grande Totobola (sem alusões sonegatórias) reencarnaria num ser nascido do adubo da terra. Ou no caso, do próprio adubo.
Tentada pela oferta de 10 mil cruzeiros, mais ou menos 5 reais nos dias de hoje, a pobre mulher até pensou em dar a crianças. Porém, ela reconsiderou. Por amor, ao seu filho e pensando no dinheiro que iria ganhar vendendo os presentes do chá de bebê, ela preferiu dar uma de Madonna e “ficar com o bebê”. Além do mais ela não queria perder o bolão feito na sua casa. Sua mãe, Vovó Skma, apostou um maço de cigarro com as vizinhas o futuro das crianças. Sendo uma filha preocupada com a mãe, Dona Skmona queria que Vovó Skma, que apostou na adoção e/ou abandono na lixeira, perdesse e assim largasse o fumo.
Realmente as coisas não estavam boas para o lado dos wicca. E que eles não imaginavam que minutos antes deles abordarem Dona Skmona, ela os viu numa pose mais do que bizarra para época. Afinal, não era mais o verão do amor e nem eles estavam em São Francisco, por isso sete pessoas “abraçadas” a um árvore só podia ser coisa ruim. Ou como era costume na época dizer, “coisa de comunista”. E ela podia entregar o filho para quem fosse, para os satanistas, para os cheiradores de gatinhos e até para os auditores do imposto de renda (o que ela quase fez anos mais tarde), mas jamais deixaria seu filho com os “seguidores do barbudo rei” (não o Lula, o outro, o mais velho um pouquinho). Na verdade aquilo que ela testemunhou era apenas uma oração para o santo dos wicca, o Wiki Wiki Honolulu Kahuna, que livrou os wiccas medievais da grande enchente de 72...1472. E transformou um rio em mar um ano depois. Na verdade, ele só cavou um buraco, mas ninguém percebeu.
Mas falando em comunistas, não é que dois dias após o parto um casal tentou adotar o menino. Dona Skmona ainda estava em observação e o baby Skma na desintoxicação, que na época era feita com urânio enriquecido, quando apareceu um homem com uma barba horrível e desgrenhada acompanhado de uma mulher de camisa branca, calça jeans e óculos. Eles ofereceram uma casa em Pedra de Guaratiba pela criança. O que dona Skmona negou no ato. Confesso que fiquei confuso nesta parte e tive que perguntar porque ela não tinha aceitado. Ao que ela me respondeu, “assim que vi aqueles pentagramas vermelhos nas roupas deles, chamei logo o segurança”....
Este foi o nascimento do Skmoso. Com este ato, Dona Skmona realizou um grande gesto de amor a baby Skma e um enorme desserviço a humanidade.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Um conto de Natal
Não há melhor época do ano do que esta. Nenhum mês consegue superar dezembro. Na culinária é goleada. Rabanada, chocottone, chester, peru, pernil, tender e até algumas frutinhas para não desperdiçar. E para aqueles que estão de dieta, ou são moradores de rua, aquela sopinha sempre vem a calhar. A decoração também não fica atrás. O vermelho e o verde cintilantes como o próprio Sol imperam por toda a cidade. Às vezes acompanhados do dourado ou do prata eles se fazem presentes nas fachadas, nas paredes, nos telhados, nas calçadas e até nas privadas (papo sério!). E mais importante, o espírito natalino se instaura no coração das pessoas. No natal qualquer grupo de pessoas arranja uma desculpa para trocar pelo menos uma “lembrancinha”. São os colegas de trabalho, os amigos do bairro e da faculdade, o pessoal da igreja, os familiares, os miguxos do orkut, etc. Tem amigo oculto (ou secreto) para todos os gostos e grupos sociais, até o povo que espera o 457 todas as manhãs fez um. E como já era de se esperar deste blogueiro que vos fala, nesta época de fraternidade e paz entre as pessoas de bem nada melhor do que uma pequena historinha de dor, sofrimento e desespero para botar água no chopp dessa galera toda.
Aproveitando a ocasião hoje irei contar como foi minha viagem a Natal, no Rio Grande do Norte. E te aviso, neste post você encontrará mais angústia e aflição do que nas letras de My Chemical Romance, Simple Plan e Good Charlote juntas. Lá na ponta do País, no inconveniente Nordeste. Terra de beleza incomparável, seca implacável e gente miserável. Que deveria muito bem ter ficado com os holandeses. Se bem que ai seria um outro país, tipo Nova Amsterdam do Sul. Mais pelo menos ia ser mais barato viajar pra lá para se drogar, comer prostitutas numa manhã de quarta-feira numa pracinha infantil e praticar vários abortos (não que eu seja fisicamente capaz disso, mas uma vez em Roma...). E o melhor dessa filial Sul-americana, é não ser obrigado a ver todo o resto daquele negócio decrepito que chamamos respeitosamente de Europa.
Voltando aos tupiniquins, ou no caso aos potiguares...viajando para Natal aprendi o quão verdadeiramente cruel pode ser a expressão “padecer no Paraíso”. Pois não se enganem por este relato, a cidade de fato tem todas aquelas coisas que os programas de turismo adoram. Água limpinha – transparente de perto e azul meio topázio de longe -, uma mata verde semi virgem (como quase tudo hoje em dia) e as mais diversas maravilhas naturais, inclusive as tais dunas onde boa parte da novela o Clone foi gravada. Enfim, tudo aquilo que todo mundo está louquinho para ver...MENOS EU. Natureza definitivamente não é meu forte, principalmente praia, principalmente mata, principalmente qualquer coisa que não tenha sido feita pelo Homem e que polua para existir. Para se ter uma idéia, eu, enquanto carioca orgulhoso que sou, só fui a praia por aqui umas 5 vezes (ou menos). Três delas este ano e todas elas arrastado por amigos. Como vocês podem ver num destes postes anteriores.
Agora, para as pessoas que devem chegar a conclusão óbvia que qualquer símio retardado com um prego enferrujado na mão chegaria: então porque raios você foi lá, hein, seu estrupício?! Simples, o dever me chamou. Fui convocado a apresentar um artigo (cof, cof) que fiz em conjunto com meus colegas de iniciação científica (cof, cof), dentre os quais se inclui a Mari , no congresso nacional da instituição mais importante (?) da Comunicação Social atualmente o Intercom da Intercom (cof, cof, cof, cof, cof, cof...). Como nem são malandros, os ilustres doutores acadêmicos da Comunicação decidiram marcar um evento numa cidade litorânea, semi-paradisíaca coincidentemente na baixa temporada. Pobrezinhos, ter de viajar as custas de suas respectivas universidades (só a passagem e a diária, que claro) para um local que tem Sol e água a temperaturas ungongo agradáveis durante todo o dia. Que suplício! Mas tudo em nome da Ciência...das Humanas pelo menos (ou seriam Sociais aplicadas?).
E quem sou eu para reclamar?! Talvez a única pessoa que realmente não se importa com nada disso (isso se algum sulista infeliz teve que ir de ônibus, mas eu duvido muito disso. Se houve, minha dor não é nada comparada a dele, e quero que ele/ela saiba que suicídio não é vergonha).
Continuando este relato sádico de degradação psicológica e destruição das noções mais elementares de fé, personalidade, caráter e humanidade, agora vem a melhor parte, por assim dizer, o trajeto em si. Porque não pensem que sou algum fresco que só por causa de algumas adversidades vai ficar choramigando por 4640 caracteres, com espaço incluso (agora 4680).
Existem poucas coisas na vida que você pode dizer de verdade, de todo o coração, que são piores que a morte. Viajar num ônibus por aproximadamente 56 horas definitivamente é uma delas.
Quando você viaja representando sua universidade seja para um concurso de soletração em Esperanto ou para um centro de pesquisa com células tronco, o pessoal encarregado de pagar o negócio sempre vai arranjar o método mais barato possível para que você chegue ao seu destino. Pode até ser perigoso desde que o indivíduo chegue vivo (não necessariamente inteiro) e sobre dinheiro para a reforma do gabinete do reitor. No caso de um professor o prognóstico é um pouco melhor, porque eles tem que dar o máximo de “aulas” até o dia em que tiverem que parar. Então não compensa o camarada perder tempo no trajeto fazendo absolutamente porra nenhuma enquanto o contribuinte está pagando o salário do infeliz (o que na prática não seria muito diferente do que alguns já fazem). Contudo, quando o aluno sai para representar a universidade a coisa muda de figura. Ele tem que chegar lá, já que a participação de discentes em qualquer evento extra campus é tao importante quanto a de seus mestres, mas realmente não importa como. Por mais degradante e, principalmente, econômico que seja. Isso porque é consenso geral que gastar dinheiro com aluno é um grande desperdício, sendo melhor comprar TV`s de plasma para o hall ou então papel higiênico dupla-face perfumado para os banheiros dos funcionários.
Tendo isto em mente, os responsáveis fretaram um suntuoso ônibus com ar-condicionado, DVD player, frigobar e até cadeiras minimamente confortáveis para pessoas de até 1,80 (pena que eu tenho 1,98). Contudo, eu trocaria tudo isso por um teco-teco sujo em que as pessoas tivessem que ir sentadas em cima de gaiolas de pombos angolanos, já que ele me levaria para Natal em menos de 10 horas. Por Deus, eu pegaria até um avião da TAM partindo de Congonhas pilotado pelo John McCain (imagina azar maior que esse?).
Sei que grandes personalidades como Lula, minha mãe e até a Patricia Pilar (numa outra novela a long time ago) tiveram que fazer um trajetos similares ao meu em boleias de caminhão ou até a pé, mas isso não muda o fato de ter sido horrível para mim.
Agora você deve estar imaginando. Eita gordinho viado, no ônibus deve ter rolado a maior orgia, mas aposto que ele não deve gostar de mulher também. Não meu caro, por acaso eu sou muito fã de uma boa orgia e a julgar pelos passageiros (ou melhor, passageiras) até que uma surubinha (não o peixe) viria a calhar. Mas não. Até esse pequeno consolo (ironicamente nos dois sentidos da palavra) me foi negado. Porque num assombro de malévola criatividade, meus queridos diretores decidiram infiltrar uma espiã no busão e assim melar com a festa da galera, ou melhor, acabar com uma futura melação da galera. Imagina só tentar iniciar um rala-e-rola coletivo sem acordar a tia da secretaria. Se bem que ninguém perguntou se ela estaria interessada em se juntar a uma possível fudelança conjunta, mas tenho a leve impressão que ela recusaria. E olha que a honorável casal dupla de diretores nem precisa ter escalado a tia Vera, porque até camisinha vinha no ônibus. Qualquer celebração aos moldes da São Francisco hippie de 19NE69Grito estaria mais do que protegida (só não tinha o meu 44 GG :().
Ao invés disso, o frescão (o onibus, não seus tripulantes) honrou seu nome e durante as 56 horas de viagem só se ouvia Lisa Mineli, Whitney Houston e um ocasional proib
idão. Enfim, um pout pourri de tudo que mais prezo na música. Só faltou o tio da Mari, o Frank Aguiar. Se não bastasse a escolha infeliz de playlists o caminho em si não era muito favorável a meu gosto delicado. Na verdade, ao gosto de ninguém. Era verde para tudo quanto é lado. Na direita, na esquerda, atrás, na frente. Isso sem contar a camisa do Palmeiras que meu coleguinha de poltrona estava usando. Com tanto uniforme para escolher tinha que ser justamente a marca-texto?! Me sentia como Nicolas-Antoine Taunay no século XIX, um paisagista cercado de verdes por todos os lados em mais de mil tonalidades diferentes. Isso porque eu nem falei da Bahia, a bendita terra das oxítonas tônicas. Que aquele lugar é um saco ninguém duvida. É tanto acarajé, axé, candomblé, bafomé, que você até desaprende a falar. Sorte que a gente não parou lá (fora as vezes que a gente se perdeu ou o ônibus quebrou), a verdadeira merda da Bahia é que aquela porra é grande para caralho. É mais fácil tu atravessar o Amazonas com um barquinho de papel do que ir pela tal da BR num sei das quantas. Parece que você entra num modo de slow motion perpétuo quando você passa pela fronteira. Devia ter uma placa, “Você está na Bahiiia. Vá Dévagar”. Mas podia ser pior. Eu poderia ser um cara negro chamado Barack Houssein tentando ser presidente da nação conservadora e racista (não são necessariamente sinônimos) mais poderosa do hemisfério norte ocidental (com essa crise queria o quê?! Eu ainda fui muito legal isso sim).
Após os quase 3 mil km de um Rio a outro (de janeiro para o do norte), os quais pude contar centímetro por centímetro da minha janela (diversão na certa). Finalmente chegamos a nosso destino o infame albergue Lua Cheia que possui a infeliz alcunha de “o albergue da bruxinha”. A escolha do local fez parte de mais uma iniciativa para contensão de gastos, dessa vez, de nossa parte. Por sorte nossa, só o nome do lugar era tosco e até que a estada foi agradável. O único problema é que os albergues assim como os hotéis também tentam roubar seu dinheiro (no sentido figurado, calma). Só que numa proporção bem menor, já que eles são hoteleiros de família. Ao invés de te cobrar 400 reais por uma latinha caviar que na verdade é atum com gosto de palmito e que parece tamarindo, eles te cobram 2 reais por uma fitinha no braço de identificação no braco que custa 0,15 centavos no varejo. E o festival de overcharging se seguiu durante toda a estadia. Eram sabonetes de 2 reais, cadeados de 8,95 e por ai vai..
Como a tática da rede hoteleira é tapear divertindo, pelo menos as recepcionistas eram gostosas e simpáticas (algumas só simpáticas). O que me causou muito espanto devido a quantidade de hóspedes bêbados, irritantes e mimados (vide eu) do pseudo-hotel. Porém, o que garante mesmo o leitinho das crianças e os presentes no final do ano são os passeios que eles organizavam. Dentre os quais o passeio de bugre pelas dunas. sem dúvida o hadouken das atrações turísticas de lá. Realmente ele vale um capítulo só dele, mas como eu já estourei em muito a média de leitura inútil na internet não farei isso.
Se você é como os universitários brasileiros e gosta de emoções fortes este passeio é uma ótima opção. Nada melhor do que pagar caro (muito caro) para um paraíba safado tentar te matar de todas as maneiras possíveis e imagináveis dentro de um veículo automotor. Nem pegando o trem para Japeri com 3 mil reais dentro de uma bolsa original da louis vitton você tem tanta adrenalina. Além disso quase me afoguei em médio-mar. Foi quando descobri que não é nada legal perceber dentro d’água que você não consegue boiar, nem mesmo usando aqueles coletinhos super cafonas.
A noite, acompanhei meus professores (e a galera do mestrado) em conversas de mesa de bar. E ouvi deles coisas que me deixaram chocado e estarrecido. Mas, acima de tudo isso, descobri que ir a um congresso pode ser uma tarefa muito desgastante se você pretende de fato assistir ao congresso.
Ah, a volta para casa foi igualmente tediosa. Eu até inventei uma greve de fome para ver se o motorista ia mais rápido. Acabei perdendo 12 quilos.
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The Post Scriptum section
Este foi o monstruoso relato da monstruosa viagem a Natal.
*José Messias é um sujeito chato que acha macacos, praia, carro, palhaços, tobogãs e feriados...um saco. Ele apóia todas as formas pagãs de adoração e é autor dos seguintes best-sellers “Manual de sobrevivência do escoteiro perneta”, “Mil e uma maneiras de se estragar um feriado cristão” e “Piadas anti-semitas para o seu Bar Mitzvah”.